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Risco de doenças aumenta em usuários de maconha.

Pesquisas recentes registraram aumento significativo de doenças cardiovasculares em usuários de maconha, especialmente em formulações com altos teores de THC.

O THC, tetrahidrocanabinol, é um dos principais compostos da Cannabis sativa, também conhecida como marijuana ou maconha, e é sua principal substância psicoativa.

Apesar de a literatura científica sobre a relação entre o uso de cannabis e o sistema cardiovascular ser ainda bastante restrita, acredita-se que sua inalação, com seus inúmeros componentes tóxicos (em torno de 500), possa desencadear complicações cardíacas agudas e crônicas.

Entre as principais consequências estão espasmo das artérias coronárias, inflamação e aumento da coagulação dos vasos, o que resulta em trombose. Além disso, o uso da maconha eleva os níveis de pressão arterial e da frequência cardíaca, podendo causar hipertensão arterial e arritmia.

Um estudo recente publicado pela Dra. DeFilippis, da Universidade de Harvard, demonstrou que o uso da maconha estava associado a maior mortalidade geral e cardiovascular em análise de mais de 2000 pacientes com menos de 50 anos, que tiveram infarto do miocárdio. Apesar de os pacientes expostos a cannabis terem menor prevalência de hipertensão, diabetes e dislipidemia (níveis elevados de gorduras no sangue), comprovou-se que os índices de mortalidade do grupo eram aproximadamente o dobro, em relação àqueles não expostos à droga.

É importante ressaltar que os efeitos cardíacos da maconha podem ser exacerbados pelo estilo de vida inadequado dos indivíduos dependentes, caracterizado por altas taxas de sedentarismo e pela maior prevalência de ingestão de álcool e tabagismo. Já no sistema nervoso central, a maconha pode resultar em maior índices de ansiedade, depressão, pânico, psicoses e fobias. Esses fatores também podem ter relação direta com a doença cardiovascular. Assim, os efeitos da cannabis sativa no coração são, sim, preocupantes, e merecem mais atenção da sociedade e da comunidade científica.

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No dia 11 de junho, A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou consulta pública para discutir o cultivo da planta de Cannabis sativa no Brasil, para fins medicinais e científicos, além da produção de medicamentos nacionais com base em derivados da substância. O uso medicinal dos derivados da planta vem sendo testado no controle de crises convulsivas, glaucoma, dor e no tratamento de doenças neurológicas graves, como a esclerose múltipla e o mal de Parkinson. A Cannabis sativa, com finalidade terapêutica (já legalizada em vários países) deve, contudo, ser melhor estudada cientificamente, por meio de pesquisas experimentais e ensaio clínicos.

Se por um lado o uso medicamentoso da maconha pode ser benéfico para alguns pacientes, a Organização Mundial da Saúde (OMS), reportou, em 2016, que a maconha é a droga ilícita mais consumida no mundo, e que sua utilização para fins recreativos é considerada um comportamento de risco, com potenciais efeitos nocivos para a saúde, incluindo complicações neuropsiquiátricas e cardíacas.

Apesar disso, a frequência do uso de cannabis é crescente em todo o mundo e, num momento em que se discute sua descriminalização, deve-se levar em consideração que seu uso, fora da medicina, tem potenciais efeitos prejudiciais à saúde.

Por: Roberto Kalil / UOL

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