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ONU divulga Relatório Mundial sobre Drogas no Dia Internacional contra ás Drogas

O mais novo Relatório Mundial sobre Drogas de 2020 foi lançado hoje pela Organização das Nações Unidas (ONU) em alusão ao Dia Internacional contra o abuso e o tráfico de drogas Ilícitas. O relatório fornece uma riqueza de informações e análises para apoiar a comunidade internacional na implementação de recomendações operacionais sobre vários compromissos assumidos pelos Estados Membros sobre o problema de drogas no mundo.

Uma das principais informações do relatório é o fato de que o uso de drogas em todo o mundo está aumentado, tanto em termos gerais quanto na proporção da população mundial que usa drogas, o que é extremamente preocupante avalia a psiquiatra Alessandra Diehl, especialista em dependência química e vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Sobre Álcool e Outras Drogas (ABEAD). Em 2009, os 210 milhões de usuários estimados representavam 4,8% da população global entre 15 e 64 anos, em comparação com os 269 milhões de usuários estimados em 2018, que correspondem a 5,3% da população. “Adolescentes e jovens adultos representam a maior parte dos que usam drogas, enquanto os jovens também são os mais vulneráveis aos efeitos das substâncias, porque eles consomem mais e ainda estão em maturação cerebral, diz Alessandra.

O relatório aponta que a cannabis é a droga mais utilizada no mundo: estima-se que 192 milhões de pessoas consumiram maconha em 2018. Para a vice-presidente da ABEAD, o alto índice pode estar relacionado à regulamentação da substância para fins recreativos. “Chama a nossa atenção que o Canadá, o Uruguai e 11 jurisdições nos Estados Unidos da América (EUA) permitiram a fabricação e venda de produtos de maconha para uso não médico. Na maioria dessas jurisdições, o consumo de maconha aumentou desde a sua legalização. Essa informação pode ser um importante instrumento de reflexão para outros países, inclusive o Brasil, que estão almejando políticas que flexibilizam o uso não médico de maconha”, alerta Alessandra Diehl.

Opioides são as mais prejudiciais

O relatório também demonstra que 58 milhões de pessoas usaram opioides em 2018. Os opioides são responsáveis por 66% das 167.000 mortes estimadas relacionadas a transtornos relacionados ao uso de drogas em 2017. De acordo com o documento da ONU, 11 milhões de pessoas injetam drogas, enquanto 1,4 milhão de usuários de drogas injetáveis estão vivendo com HIV; 5,5 milhões com hepatite C; e 1,2 milhão estão vivendo com hepatite C e HIV.

O relatório ainda traz considerações sobre os possíveis impactos da pandemia da COVID -19 no mercado de drogas, uma vez que os traficantes podem ter que encontrar novas rotas e métodos para chegar aos consumidores. As atividades de tráfico via darknet e os envios por correio podem aumentar, apesar da interrupção da cadeia de suprimentos internacional. A pandemia também levou à escassez de opioides. Segundo Alessandra Diehl isto pode levar pessoas a buscam substâncias mais prontamente disponíveis ou legalizadas, como álcool, benzodiazepínicos ou se misturam com drogas sintéticas”. Padrões de uso mais prejudiciais podem surgir à medida que alguns usuários passam a injetar, ou a injetar com mais frequência.

Como um alerta para os efeitos adicionais da pandemia atual, o Relatório afirma que se os governos reagirem da mesma forma que reagiram à crise econômica de 2008 – quando reduziram os orçamentos relacionados às drogas e intervenções como prevenção do uso de substâncias – a provisão de naloxona para gerenciamento e reversão da overdose de opioides pode ser duramente atingida. As operações de interceptação e a cooperação internacional também podem se tornar menos prioritárias, facilitando a operação dos traficantes.

Estigmas e políticas públicas deficitárias prejudicam tratamento no Brasil

No Brasil, estima-se que pelo menos 28 milhões de pessoas vivem com um dependente químico segundo o levantamento nacional de famílias realizado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Os indivíduos acometidos pelo uso de drogas acumulam problemas de saúde física e mental, ruptura dos laços familiares e de relacionamento social, têm mais dificuldades de inserção e manutenção no mercado de trabalho e estão mais propensos a experimentarem situações de conflito com a lei. Observa-se ainda no País um cenário carente de modelos mais específicos de atendimento para dependência química e, sobretudo, mais eficientes, na opinião de Alessandra Diehl. “Isso tem gerado serviços com potencial terapêutico limitado, desvinculado muitas vezes das necessidades locais, pouco baseado em evidências científicas e com investimentos e os recursos alocados muitas vezes de modo impróprio”, afirma a especialista.

Um estudo conduzido com 160 usuários de crack do Rio de Janeiro e de Salvador mostrou que apenas uma pequena minoria utilizava serviços sociais ou de saúde disponíveis localmente. Eles relataram que esses serviços têm recursos limitados para atendê-los, falta de habilidades específicas para lidarem com a questão das drogas por parte dos profissionais, barreiras burocráticas organizacionais e estigma como obstáculos para um melhor acesso aos serviços. No entanto, a maioria dos entrevistados declarou um forte interesse e necessidade de terem acesso facilitado a serviços sociais, de saúde e de tratamento.

Para Alessandra, o estigma, ou seja, o discurso por vezes ainda “muito moralizador” de profissionais da saúde a respeito do consumo de drogas e a marginalização de usuários de substâncias parecem ser elementos bastante recorrentes. “Essa moralização reflete na formulação de políticas gerando barreiras de acesso a serviços de saúde e de assistência social por parte de muitos usuários e suas famílias. Uma pesquisa de 2009 da Fundação Perseu Abramo já mostrava que 41% da população brasileira tem ódio e antipatia de conviver com usuários de drogas”, avalia. Já a psicóloga Renata Brasil Araujo, atual presidente da ABEAD, comenta que “em razão da imensa diversidade de questões envolvendo a dependência química, não se pode imaginar que a abordagem do problema seja simples. Ao contrário: verifica-se que o tratamento exige múltiplas abordagens em diversos ambientes de tratamento. “Quase nunca, abandonar o uso de drogas é uma tarefa que possa ser realizada sem qualquer tipo de ajuda, e para isto recursos em diversos níveis devem ser implementados”, afirma Renata.

Os especialistas na área relataram que os recursos diversificados, inclusivos, respeitosos, com equidade de gênero para o tratamento das drogas vão desde a prevenção primária até intervenções complexas em unidades de internação psiquiátrica, em hospitais gerais ou acolhimento em Comunidades Terapêuticas. “Aliado a isso as terapias envolvem projetos de recuperação em longo prazo, os quais devem estar integrados em uma política de assistência ao usuário de drogas que pretenda ser eficaz dentro de um verdadeiro trabalho em rede”, argumenta a presidente da ABEAD.

Ela salienta também que a reinserção social e ampliação de possibilidades no mercado de trabalho segue sendo um grande desafio para qualquer dependente químico que entra em processo de recuperação. “Esta barreira é ainda muito maior para aqueles que sofrem violências e privações desde cedo na vida, com evasão escolar e rejeição familiar. Garantir tratamento adequado com uma reinserção educacional e a promoção de recolocação do mercado de trabalho formal certamente contribuem para garantir a dignidade humana para portadores de transtornos por uso de substâncias”, finaliza Renata Araujo.

Fonte: ParanaPortal

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