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Grupos de apoio e os fatores terapêuticos

Existem diversas maneiras de cuidar da saúde mental das pessoas. Sim, estamos mais acostumados a utilizar a terapia como o exemplo principal para tratar do lado emocional, entretanto, devemos ter em mente outras práticas que também são muito eficientes.

Nesse sentido, gostaria de destacar a atuação dos grupos de apoio. Você, provavelmente, já deve ter visto algo a respeito em filmes e séries. Afinal, encontros semelhantes e conhecidos acontecem no Neuróticos Anônimos, Mulheres que Amam Demais Anônimas, Alcoólicos Anônimos, dentre outros grupos.

Bem, existe certa verdade no que é demonstrado nessas mídias, pois eles realmente tratam de diferentes temas de saúde física e emocional. Dessa forma, tratam-se de espaços para as pessoas se sentirem seguras para compartilhar as suas experiências e crescer em conjunto.

A dinâmica do grupo de apoio

Dentro desse universo, realizo grupos de apoio mediados por troca de experiências sobre diversos temas em saúde mental. Conduzo as sessões, mas, principalmente, observo as atitudes e benefícios dessa prática.

A troca de vivências é a principal ferramenta, o que permite um espelho e reflexão para cada indivíduo. Entretanto, esse também é um espaço que pode ser utilizado para enfrentar a solidão e isolamento social.

Ao estar presente com pessoas semelhantes, falar sobre assuntos complicados torna-se mais fácil, principalmente, quando todos os envolvidos buscam a melhora e atuam de forma que apoiam o próximo.

Nesse sentido, a ajuda mútua entre os participantes é algo constante e propicia o crescimento e enfrentamento de questões difíceis. Observo frequentemente aqueles que estão mais fortalecidos acolherem os recém chegados com falas do tipo “Aqui temos este espaço de atenção que alivia o nosso sofrimento”.

Além disso, em cada reunião observo o alívio de alguns ao percebem que não estão sozinhos com os seus problemas. O sentimento de poder ajudar o próximo também traz uma satisfação pessoal e atenuação de angústias internas. Dessa forma, vejo ambos os lados melhorarem a queixa e a autoestima.

Sendo assim, a cada vivencia grupal tenho a sensação de promover a valorização de experiências humanas e troca de aprendizados. Cada encontro amplia a rede de apoio com possíveis novas amizades e laços que são construídos.

Fatores terapêuticos dos grupos de apoio

Gostaria de aprofundar um pouco mais nesse assunto. Contribuindo com nosso aprendizado, Irvin Yalom fundamentou os fatores terapêuticos que um grupo de apoio pode oferecer. Vejamos alguns:

  • Na “universalidade” o cliente experimenta a sensação de alívio ao perceber que não está sozinho com seu problema, pois os mais experientes acolhem os recém chegados que observam diferentes níveis de problemas e soluções;
  • A “coesão” desenvolve o sentimento de pertencer a um grupo, de possuir afinidade com seus membros e de ser aceito pelos demais integrantes. Grupos coesos oferecem sensação de afeto e amparo;
  • O “compartilhamento das informações” ocorre quando o terapeuta ou membros do grupo fornecem experiências e estratégias para lidar com um problema expressado por algum integrante;
  • A “socialização” se refere ao aprendizado de se relacionar com outras pessoas. O grupo é um ambiente mais próximo do mundo real do paciente, no qual ele pratica novas habilidades sociais que poderão utilizadas no cotidiano;
  • O fator “catarse” ocorre quando um membro expressa fortes emoções no grupo e é acolhido em sua dificuldade com falas e reflexões possíveis para aquela questão. Esta capacidade de expressar emoções sobre a própria experiência e refletir nela representa um processo para mudanças emocionais;
  • A “instalação de esperança” é a observação direta dos membros do grupo, que ao relatarem a sua melhora produzem expectativas semelhantes. Neste fator, ocorre uma vinculação maior diminuindo o risco de abandono do tratamento.
A utilização do ambiente digital

Os exemplos de grupos citados são presenciais, porém, alguns já se adaptaram para o ambiente das reuniões virtuais contribuindo muito para a melhora das queixas e marcando as vidas dos participantes.

Neste cenário digital, observo um campo crescente e um novo tipo de educação para as sociedades modernas. A possibilidade de realizar videoconferências abre novos caminhos para a realização das sessões dos grupos de apoio.

Além disso, é interessante observar o papel que as redes sociais desempenham. É cada vez mais comum observar comunidades e fóruns discutindo temas da saúde como um todo. Aliás, nesses espaços são passados aprendizados e estratégias, assim como nos grupos presenciais.

Enfim, diante de qualquer questão de saúde mental ou física, um grupo de apoio presencial ou online pode potencializar o acompanhamento individual e sua melhora conforme descrito nos fatores terapêuticos aqui apresentados.

Fonte: TelaVita

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