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Como ajudar na reinserção social do dependente químico?

Se você enfrenta problemas com vício em álcool ou drogas na sua família, certamente sabe bem quanto sofrimento é causado para todos os envolvidos. Durante a jornada de recuperação, um desafio é encontrado: a reinserção social do dependente químico.

Para que o indivíduo vença o vício, se restabeleça e recomece a sua vida, ele precisa de muito apoio. Isso inclui o suporte emocional da família, a assunção de novas responsabilidades e oportunidades — também no contexto profissional —, a adoção de novos hábitos para evitar recaídas e a ajuda de especialistas.

A dependência química envolve aspectos biológicos, psicológicos e sociais do indivíduo. Para uma recuperação efetiva, todos esses fatores devem ser bem trabalhados. O restabelecimento das relações sociais, por exemplo, é fundamental para a construção de uma nova história e a continuidade das transformações ocorridas no processo de recuperação.

A desintoxicação é apenas uma parte do tratamento — tão importante quanto isso é a reinserção social. Nesse sentido, o isolamento não é a melhor forma de reintegrar o dependente em abstinência. Ao contrário, o ideal é que ele encontre apoio nos relacionamentos e no convívio com outras pessoas. É essencial que ele saiba que pode contar com aqueles que estão ao seu redor.

Não é nada fácil conviver com um dependente químico, e somente quem já enfrentou essa situação sabe que muitas mágoas podem permanecer. Contudo, a pessoa que está em fase de recuperação necessita, mais do que nunca, de acolhimento, compreensão, atenção e respeito. Se o indivíduo se sentir amparado e valorizado em suas relações sociais, ele adquire muito mais força e motivação para reconstruir sua vida.

O papel da família

A família é um dos principais pilares para a recuperação do dependente químico, sendo corresponsável pelo tratamento e pela reinserção social de seus entes. Isso significa que, além de suporte emocional, presença e disposição para ajudar, os familiares também precisam passar por acompanhamento durante esse processo.

A realidade é que, quando se trata de dependência química, a família inteira sofre com os efeitos do problema. Todas as pessoas que convivem com o dependente, de certa forma, também adoecem. Resta saber quem está mais preparado para fornecer o amparo e os cuidados necessários, quem precisa mais de ajuda e quem pode prover o sustento emocional dessas relações estremecidas.

Outras perguntas que ficam são: “quem adoeceu primeiro?” e “qual a origem da doença?”. Isso porque muitos problemas são desenvolvidos no próprio seio familiar, em razão do ambiente não acolhedor, da ausência de regras e limites, da falta de convívio, atenção e carinho.

Nesse sentido, a família também precisa de suporte para compreender a dinâmica que foi construída e de que forma as relações familiares podem contribuir para a melhoria ou para o agravamento da dependência química.

Em geral, a missão de fornecer apoio é mais assumida pela mãe. Entretanto, ela pode não conseguir desempenhar esse propósito com firmeza e acabar “passando a mão na cabeça do filho”, por não suportar ver o seu sofrimento. Assim, a responsabilidade passa a outros integrantes da família, como irmãos, mas esses nem sempre estão dispostos a lidar com a situação.

Ocorre, então, uma codependência: as famílias sentem culpa, sobrecarga, desesperança e autopiedade. Em vez de ajudar na recuperação de seus entes, alguns familiares acabam assumindo posturas inadequadas, como negação, não reconhecimento da gravidade do problema, mentira e omissão.

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Por outro lado, se as famílias estão dispostas e preparadas para enfrentar e melhorar a situação, o dependente pode encontrar uma faísca de motivação e sentir que as pessoas ao redor não desistiram dele. Esse é um trabalho que deve ser feito diariamente pelos familiares e envolve o exercício da tolerância, da compreensão, do apoio, da doação e do amor.

Retorno no mercado de trabalho

O dependente em recuperação precisa de suporte em todos os sentidos, e, nesse novo caminho, é essencial que ele seja tratado como os outros seres humanos, sem preconceito e atitudes evidentes ou mascaradas que o façam se sentir à margem da sociedade.

A reinserção do dependente químico no mercado de trabalho é um momento delicado, e nem todas pessoas têm um olhar flexível sobre isso. Ainda existe muita discriminação, dificultando o acesso às oportunidades. Assim, o que eles acabam encontrando são portas fechadas e desconfiança, ao mesmo tempo em que são cobrados para se reerguerem. Isso, por consequência, gera frustração e prejudica a recuperação.

Uma porta aberta no mercado de trabalho é um recomeço para o dependente em abstinência, a chance de uma vida nova. Com essa oportunidade, ele pode começar a reescrever sua história, focar no futuro e direcionar sua mente para novos projetos.

Também, é no cenário profissional que o indivíduo cria novas conexões, assume responsabilidades e se vê em um ambiente totalmente diferente daquele que o mantinha preso ao consumo de substâncias químicas.

O processo de recuperação é um tratamento contínuo, que será levado para a vida toda. São elementos essenciais durante essa jornada: o apoio das pessoas próximas; os reforços positivos encontrados em todos os contextos de vivência — família, trabalho etc.; a esquiva de lugares e situações que possibilitem recaídas.

Possibilidades de recaídas

Evitar recaídas é um desafio que o dependente em abstinência enfrentará durante o resto de sua vida. As possibilidades de cair novamente no vício existem e estão por todos os lados. Para diminuir as chances de que isso aconteça, o indivíduo em reabilitação precisa adotar hábitos sociais bem diferentes dos anteriores.

Apoiar-se em relações construtivas e seguras e evitar locais e contatos que favoreçam o uso de álcool e drogas são algumas medidas de precaução. É claro que não é fácil abandonar velhos hábitos e fazer mudanças drásticas na vida, mas, se não for assim, mesmo doses baixas e consumo moderado de certas substâncias podem provocar uma recaída e o retorno ao vício.

Para seguir firme nessa nova caminhada, também é necessário contar com a ajuda de especialistas. As clínicas de reabilitação são a melhor opção para os dependentes químicos que querem resgatar a qualidade de vida e assumir um novo rumo. São locais que oferecem acompanhamento profissional constante, com todo respaldo que as pessoas precisam para um recomeço.

Vencer o vício não é um processo rápido e fácil; ao contrário disso, exige luta diária, força de vontade e apoio de todas as direções, principalmente da família. Com todo esse alicerce e a ajuda de profissionais, é possível promover a reinserção social do dependente químico e, a partir daí, iniciar a construção de uma nova vida.

Fonte: Viver sem droga

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